Do outro lado à luz

Posted on Março 22, 2012 por

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Pá, entraste na minha vida. Não sais ali de cima, do cantinho do lado direito, na lista de contactos, nos primeiros lugares porque o agá, a estas horas, é top cinco pelo menos. Estás sempre ali, mais acima ou mais abaixo, e causas a impressão que favorece sempre os desconhecidos em quem acredita que pode sempre valer a pena. E nunca te disse nem olá.

É quase-ridículo, eu sei, mas às tantas dá-me vontade para escrever e já não me agarro até morrer de vergonha, o que só acontece no dia a seguir – sim, não me aguento mais do que meio minuto de peito cheio, capaz de ficar não sou porque o impulso vai e vem com a coragem e se já aqui estás é porque já estou do outro lado a roer as unhas. Parvo.

Do outro lado à luz

Fica tão calmo quando do outro lado à luz só és tu, quando fazes do barulho de fundo o som das páginas a roçarem-se levemente umas nas outras, encostada e mal sentada a ler de cabelo apanhado num lápis, num lápis que uso sem pedir licença para te soltar o cabelo e descrever de seguida quão bom não é vê-lo a cair devagarinho. Se calhar é hoje que te falo, mas

agora foste-te embora, e eu costumo ficar com o Iván enquanto te vejo sair. Belas horas. Se calhar demorei de propósito e agora nem eu vou ficar a saber. Também nem quero, não quero ficar a saber rigorosamente nada. Arrisco-me a parecer que não, mas foi só vontade de escrever.

Posted in: Correspondência