Europa es rojiblanca (y por contagio)

Posted on Maio 9, 2012 por

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Numa época que reuniu todas as condições para culminar no Épico dos Épicos, um Chelsea Bayern de Munique sabe a pouco e quase parece um jogo menor. Desinteressados, apetece-nos dizer um sim, vá, joguem lá a final deste ano, que não há problema nenhum, com a certeza absoluta – e legítima, provavelmente – de que um Barcelona Real Madrid ia oferecer um espetáculo não comparável com mais nenhum outro nos tempos que decorrem e que já correram. Paciência e vá, joguem lá a final deste ano, que não há problema nenhum.

Simeone e Bielsa

Por sua vez, em Bucareste, a contar para menos mas a contar à mesma, dá-se a outra final europeia: Atlético de Bilbao e Atlético de Madrid, frente-a-frente numa luta pelo título da Liga Europa 2011/2012. Repete-se a cena da época passada (na altura, Porto Braga) e o jogo inicia sabendo-se logo à partida que o caneco fica, desta feita, em terras espanholas. De um lado, uma equipa reformulada desde a base e a partir da própria ideia do jogo, que tem vindo a enamorar o velho continente com o seu futebol; do outro, uma equipa renovada da maneira fácil mas à qual Simeone veio dar condições para chegar à luta por este tipo de títulos: garra e algumas noções mais sólidas do jogo, suficiente a este nível se os executantes já forem, à partida, bons quanto baste.

Para entender a importância que esta taça tem para todos os seguidores de cada um dos clubes, temos que contextualizar a final naquilo que é o futebol de hoje em dia: os Atléticos pertencem ao grupo dos “outros”, e jogam, num jogo assim, tanto ou mais do que Barcelonas e Reais Madrid jogariam noutra uma final europeia. Esta é a mensagem que vem bem refletida num recente spot de apoio ao Atlético de Madrid para a final, em que vemos uma criança perguntar ao pai «papá, qué es más importante, la Champions o la Europa League?», ao que o pai responde «depende». E depende, sim senhor. Se contextualizarmos e formos coerentes, ganhar dois títulos europeus em três anos (o mesmo que conseguiu o Barcelona, por exemplo, no ano passado) é, para o de Madrid, tão importante como será para o Bayern (ou Chelsea, mas, vá, mais não) ganhar daqui a dez dias em Munique. Cada um no seu cantinho e, conscientes disso, lutar para se ser o melhor. É este o compromisso que se exige e que, por existir, atrai tanto adepto de coração, seguidor e defensor do escudo do clube que o enche e aquece por dentro.

Athletic Bilbao

San Mamés, vs Manchester United, 15-Mar-2012

Engraçado que, num outrora quase-à-Senhor-dos-Anéis, Atlético de Bilbao e Atlético de Madrid foram um só clube. Se hoje o de Bilbao merece o respeito de todo e qualquer adepto de futebol – não só pelo que joga mas, também, pelos valores que defende e que estão na base daquilo que é, não cedendo àquilo que move muitos outros -, já há cem anos o conseguia. Vindo lá de cima jogar à capital a final da primeira Real Copa de España, o Athletic Club derrotou o Real Madrid e contagiou um grupo de estudantes universitários madrilenos, que decidiu formar uma espécie de sucursal do clube basco em Madrid.

Se, em essência, eram um só Athletic Club, rapidamente se começou a diferenciar um do outro enquanto Athletic e Athletic “Sucursal”, ou Athletic (B) e Athletic (M) em referência às iniciais das cidades-berço de cada grupo mas que uma espécie de rivalidade popular foi alterando para “Bom” e “Mau”. O que é certo é que o de Madrid foi crescendo e ganhando protagonismo para conseguir, em 1923, romper o vínculo e iniciar uma história em nome próprio.

Ficaram as riscas do equipamento e pouco mais – que nem sequer os próprios adeptos se sentem próximos -, mas o que é certo é que a semente de Bilbao continua a dar frutos e pode ter iniciado, numa espécie de adaptação aos tempos modernos, a internacionalização que se lhe exige enquanto um dos exemplos mais puros do futebol actual. Há ali qualquer coisa que contagia, ainda e cem anos depois.

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Fotografias: 1, 2

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