Carta de Motivação

Posted on Agosto 5, 2012 por

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Inspira. Suspira. Transpira por inspiração. A inspiração não se respira. Quando a pira se acende, não deixes que se expire.

Podia e era até oportuno ser um texto sobre os Jogos Olímpicos. Mas acho que não tenho autoridade para tal após só me ter apercebido, em toda a sua majestade, da perfeição do salto da ginasta McKayla Maroney à segunda repetição. Como pude ser capaz? Que momento. E que jumento que eu me senti por não o ter apreciado logo à primeira.

É isto que dá sentido a tudo. Aquele alinhamento mágico que cruza a retina, direto e certeiro para se cravar na memória. O auge. A obra-prima.

Não é preciso ser-se profissional para se sentir o fascínio. E escrever… Escrever tem qualquer coisa. Os textos não se medem em tempos ou distâncias. As corridas de balanço não podem ser sempre iguais. Não há um Fosbury flop para se usar a cada texto. Mas, de algum modo, queremos fazer melhor e melhor. Como se houvesse, também, um alinhamento perfeito de palavras. Sem falsas partidas, com viragens perfeitas a cada parágrafo, chegando alto sem derrubar a barra, longe sem pisar a plasticina, superando barreiras sem as fazer sequer tremer antes de lançar uma seta sibilante que te acerta em cheio, mas com a leveza e a elegância da McKayla, num infinitatlo de emoções em que a medalha de ouro é o teu sorriso. E é ele toda a obra-prima que eu ambiciono.

Eu sinto o fascínio.

A inspiração não está ao virar da esquina. Não está ao pé da Caras no quiosque do Sr. Hermínio. Mas este é o momento. Eu sinto a chama. Chama-lhe olímpica. Se ficares por cá, ela não se há-de apagar.

Troch Relay

 

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