Pouca coisa ou quase nada

Posted on Agosto 20, 2012 por

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«Ter que recorrer à fé será, entre linhas, ou não acreditar em mais nada do que na sorte ou não perceber nada do assunto – é ser imbecil se não se quiser, também, perceber.» in Sporting base I

1 – Sá Pinto sai do jogo satisfeito com qualquer coisa que, só por si, não é futebol. «A atitude agradou-me», «a equipa teve uma atitude fantástica» ou «esta ambição demonstrada até ao último minuto deixa-me satisfeito» é de quem não percebe bem onde é que as coisas estão a encravar – ou de quem ainda tem a fasquia no quarto lugar.

2 – O «apenas no capítulo da finalização podíamos ter sido melhores» também não abona muito a seu favor. Para se ser bom nesse capítulo, Sá, é preciso ser-se ainda melhor nos que o precedem. E aí, com bola, o Sporting foi limitadíssimo. Uma ideia: ir à linha e cruzar, fosse para quem fosse. Bola no meio, isolar extremos, cruzar. Pouca exploração do corredor central, e poucas ideias, ou confusas, logo no nosso meio-campo. O jogo a mexer com os criativos, Carrillo e Adrien, mas completamente desacompanhados. Até Ricky, a pedir constantemente profundidade quando quem tem a bola pede apoio, como se fosse ele o reforço de última hora a quem se desculpa a inadaptação. Houvesse Hélder Postiga…

3 – Dois pivôs defensivos pouco pivôs, lado a lado, com a agravante de serem dos jogadores menos criativos do plantel disponível. Coisas boas e coisas más. O Sporting esteve excelente na pressão e na recuperação de primeiras e segundas bolas, mas esse mesmo Sporting não nomeou ninguém para pedir o jogo aos centrais, que ora saíam a jogar por fora, ora esticavam para quem pudesse estar lá ao fundo. Sempre escondidos, sem se mostrarem ao jogo e sem dar linhas de passe. Poucas bolas chegaram ao Adrien, faltou sempre o degrau do meio. Faltou um Elias mais liberto, três metros à frente do Gelson, ou faltou André Martins a jogar de início. Mais isso.

4 – Adrien pouco jogou e a substituição que se faz é trocá-lo por outro, quando a razão não estava no jogador mas sim na lógica do que se tentava fazer. Tentar fazer jogar Adrien sem lhe garantir condições, ou o paradigma Matías Fernández. O tal outro que entrou, o melhor jogador do Sporting, completamente ao lado do jogo até que se fez qualquer coisa minimamente inteligente. André Martins a seis e o Sporting a jogar um bocadinho pela primeira vez, mas com uma hora e tal de atraso. Critério a sair, os degrauzinhos todos até lá à frente, mas com um Ricky que não acertou o passo e

5 – um corredor esquerdo de meter medo. Muito pulmão, muita falta de inteligência. Insistir, insistir e insistir, mas sempre nas escolhas mais erradas. Sempre que a bola entrou na esquerda não mais de lá saiu, ou, quando saiu, saiu de forma despropositada e sem ideias, para onde ninguém nada. Fica ainda uma dúvida importante: Sá Pinto percebeu isto ao minuto oitenta e nove, ou aquela última substituição foi só para fazer as três?

6 – Carrillo sempre desacompanhado e obrigado a decidir mal, muitas vezes. Ali ao lado, um Cédric quase-formatado para ganhar espaço e centrar (só espero que seja tão teimoso como o Pereirinha e que continue à procura do que é futebol) e pelo meio, zero. Adrien e Martins meio perdidos à procura de jogo mais atrás, ou Elias, mais tarde, sem nunca se mostrar o suficiente. O Sporting tentou por todos os lados, mister, pois tentou, mas tentou mal e sempre mal.

e 7 – André Martins. A seis, enquanto não se descobrir mais ninguém, ou enquanto não se souber bem o que fazer. Meter lá o miúdo, que ele resolve.

Ricky van Wolfswinkel, Vitória de Guimarães vs Sporting

Wolfswinkel, vs Vitória de Guimarães, 19-Ago-2012

a

1ª jornada da Liga portuguesa, Vitória de Guimarães – Sporting, 0 – 0, 19-Ago-2012

Fotografia: Mais Futebol

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