You can’t buy class III: Identidade Wenger

Posted on Maio 1, 2013 por

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«Uma das coisas de que o Wenger se tem sempre queixado é de que o Arsenal é dos poucos clubes em Inglaterra que tem uma política financeira conservadora. Há muitos anos que anda a dizer que os baixos orçamentos têm sobretudo a ver com o facto de estarem a pagar o estádio e não quererem entrar em loucuras enquanto tiverem essa despesa. Como clube, parece-me uma gestão inteligente. Podem não ter resultados desportivos imediatos, mas estão a salvo de algumas coisas. O Arsenal é dos poucos clubes que vive das receitas que gera – não tem magnatas a investir dinheiro que o clube não gera.

O Chelsea, como o City, dependem do investimento do momento, e do sucesso imediato que um treinador ou outro consigam. Mesmo que isso se mantenha, vão ter altos e baixos enquanto não tiverem um projecto desportivo que seja minimamente independente do dinheiro que é injetado. O Arsenal tem essa independência! No momento em que Wenger voltar a ter os seus recursos nivelados com os outros, só o United é que rivalizará com o Arsenal.»

In Arsène we trust

«O que ele tem feito no Arsenal só pode ser analisado à luz dos recursos, das contrariedades e dos adversários que tem tido. E o que é certo é que o seu Arsenal não só é de um regularidade espantosa como se sabe regenerar sistematicamente. É um dos melhores projetos desportivos na Europa, só superado, muito provavelmente, pelo do Barcelona e pelo do United, mas as pessoas acham que, como não ganha nada há não sei quantos anos, é uma trampa. As pessoas são estúpidas, e não há volta a dar.

Nos últimos anos, o Arsenal vendeu (e se vendeu é porque valorizou, e se valorizou é porque os jogadores evoluíram) o Adebayor, o Touré, o Clichy, o Nasri, o Fabregas, o Song e o Van Persie. Sete em três épocas! Sete jogadores que o Wenger valorizou inquestionavelmente. Mas poderíamos facilmente aceitar que o Wenger fez evoluir ainda o Koscielny, o Wilshere, o Ramsey, o Diaby, o Walcott, ou o Chamberlain. Tudo jogadores que não eram ninguém antes de chegarem às mãos do Wenger. E este ano está finalmente a aparecer o Gibbs, que esteve tapado até aqui e que sempre me pareceu o lateral esquerdo com mais potencial de todos os que o Wenger tinha, e que vai dar que falar daqui a uns tempos. E mais se seguirão, se for preciso. Como é que tu podes sequer sugerir que o Wenger não faz evoluir jogadores? Eu não conheço outro treinador (no mundo inteiro) que faça evoluir tantos jogadores.»

Arsène Wenger

«A verdade é que o Arsenal tem a identidade Wenger, e isso é algo que demora muito a conseguir implementar num clube. Não o acho acomodado. É um projeto que ele ajudou a construir (foi talvez o principal construtor), que deu frutos, que continua a manter o clube num nível aceitável… Estamos habituados a achar que um treinador deve perseguir o sucesso, e que deve seguir para onde tiver maiores probabilidades de ser bem sucedido, mas a verdade é que há coisas mais importantes que o sucesso imediato. O Wenger está em casa: aquilo é, com certeza, tudo o que pensava almejar. Tem as bases todas para que o sucesso se siga. As bases do projeto, que é o mais difícil, ele tem-nas.

Imagina que a lei que ele anda a exigir há anos (uma lei que obrigasse os clubes a gastar apenas o equivalente ao lucro que fazem) era implementada. De um dia para o outro, o Arsenal passaria a ser a segunda equipa em Inglaterra.»

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Também desta série: You can’t buy class I: Não há curva descendente nenhuma! e You can’t buy class II: Qual nervo?