Para lá do silêncio

Posted on Novembro 10, 2013 por

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(Ouvem-se… barulhos, sim, barulhos, sei lá como é que vos consigo descrever isto.)

(Ouve-se esta espécie de vento a passar e a soprar com força, a rasgar-se a si próprio como que a fugir de si próprio e é tudo tão rápido.)

(Vendo bem é mais tipo uma folha a rasgar-se lentamente, porque dura e demora. Não, é é uma folha a passar tão perto do ouvido que te coça, que te ativa, que te faz ouvir para lá do silêncio.)

(Não são sons a preto e branco? Como assim, sons a preto e branco? Rápidos, e a preto e branco. Não?)

(É a chuva, forte, é um dia de nevoeiro. É a chuva forte num dia de nevoeiro, ou um dia de nevoeiro com chuva forte. Não sei o que é que vem primeiro.)

(Sombras? Então veem-se barulhos, sim, veem-se barulhos. O quê? Sim, veem-se os barulhos, têm chuva e não sabem dançar.)

(Mas para lá do silêncio, e ir para lá do silêncio é pior que encontrar sombras no escuro. Há sombras, para lá do silêncio?)

Barulhos

Nisso realmente os sons são muito mais fáceis do que a escrita.

Não sei como voltar a dormir enquanto estes sons que ainda não são palavras não assumirem uma forma concreta, sempre dava para os apagar ou para lhes meter uma vírgula e ficarem mais bonitos.

Se não os agarrar hoje espero que voltem amanhã. Sempre são companhia.

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Imagem original: Fonte

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